sábado, 17 de maio de 2014

"Holocaustos há muitos"

“Ouvi anciãos, e prestai atenção! Vós todos, que habitais a terra. Foi no vosso tempo que isto se passou, ou no tempo dos vossos pais? Contai aos vossos filhos, e que eles o contem aos filhos deles, e os filhos destes à geração seguinte.”  


Joel 1, 2-3

 

 

"Um em cada cinco portugueses revela atitudes antissemitas"

(ver post anterior) 


Sentado, sozinho, na varanda, respiro a escuridão imensa. Os pés repousam no parapeito. Enrolado na noite como num cobertor negro, escondido, apagado, não penso em nada. À minha frente, não vejo mas sinto, os campos, as serras, os arvoredos, os córregos, as ribeiras, as nuvens, o céu, as estrelas. De repente, sem aviso, uma miríade de luzes explode. São quilómetros de negrume que se iluminam de súbito e continuam a piscar, a piscar, a piscar. Milhares e milhares de luzinhas, como um organismo uno, coordenado. Fica-se encantado e aturdido com o espectáculo. São os pirilampos. E não é todos os dias que se vê isto. Que  força oculta os faz acenderem-se assim? Aqui há tempos, parece que os bambus todos do mundo, num dado ano, no mesmo dia, à mesma hora, floriram em uníssono. 

Tornei-me um militante da causa de Israel, do Povo Hebreu, do combate ao anti-semitismo, porque de repente, há ano e meio, pessoas que toda a vida conheci como decentes e normais, começaram, com uma regularidade preocupante, a acercar-se de mim e a comentarem que "meia dúzia de atómicas em cima de Israel" era uma excelente ideia. Ou entrar em Jerusalém, de látego em punho, como os carrascos nazis, e "chicotear aqueles agiotas todos"

Um em cada cinco portugueses é um anti-semita assumido. Quantos mais o são em segredo? Quantos mais se alegrariam, como tantos alemães, ucranianos ou polacos, ao verem sair o fumo negro das chaminés dos crematórios? Quantos mais denunciariam uma família, dez  famílias, 100 famílias judias escondidas em caves, em poços, em buracos, a troco de umas moedas e da satisfação do dever cumprido - como fizeram tantos alemães e europeus de leste durante Holocausto? 


'Contai aos Vossos Filhos…Um livro sobre o Holocausto na Europa, 1933-1945' 


"Holocaustos há muitos!" 

Dizia-me ele. E sorria. E quando sorria, viam-se-lhe os dentes de vampiro. E sorrindo decretava a proibição de mencionar o Holocausto. Porque "há muitos"

"Pela  primeira vez presenciei às 3 da manhã uma 'acção especial' (Sonderaktion). Comparado com isto, o Inferno de Dante não passa de pura comédia. Não é sem razão que chamam a Auschwitz um campo de extermínio!
(...) Participei numa acção especial com presas do campo de mulheres. Um verdadeiro horror! Estou de acordo com Thilo, que comentou que estávamos no 'anus mundi' (o ânus do mundo)."
DO DIÁRIO DE JOHANN P. KREMER DAS SS NO CAMPO DE EXTERMÍNIO DE AUSCHWITZ-BIRKENAU, 2 E 5 DE SETEMBRO DE 1942.

E há que "cultivar a paz" - frisava, aos gritos, desvairado... A menos lhe pisem os calos, bem entendido! E não é preciso ser muito. Basta uma pisadelazinha, ao de leve, uma subidazinha de impostos, que o cultivo da paz fica ao abandono, e a fúria, e a verborreia desenfreada, acendem-se logo, como os pirilampos.   

"Holocaustos há muitos!" - é o mantra dele, o seu disco riscado. E não pode estar errado, porque ele é omnisciente. Deu recentemente em comunista e islamista. 



 "Chicotear aqueles agiotas todos"

Repetia-me sempre o outro, um comunista bolachudo, febrilmente apaixonado pelo Hamas, pelo Hezzbollah, e por todos os terroristas islâmicos do Mundo. Gordo e encarnado como um tomate, contente de si mesmo, de olhar enlevado, perdido em êxtase. A imaginar, a saborear a cena do "chicoteamento", a bebê-la, a comê-la, a cheirá-la, a apalpá-la, a masturbar-se com ela. A gula de sangue estampada no fácies brutal, o bigode à Estaline eriçado de prazer, os olhinhos pequeninos e negros em alvo.

"Ao longo de todo o Inverno obrigaram criancinhas pequenas, totalmente nuas e descalças, a aguardar ao frio, horas a fio, a vez de entrar nas câmaras de gás que funcionam sem parar. As plantas dos pés ficam geladas e colam-se ao chão. 
De pé, a chorar, alguns morrem de frio. Entretanto, os alemães e os ucranianos passam pelas filas de um lado para o outro, espancando e dando pontapés às vítimas.
Um dos alemães, um homem chamado Sepp, era um animal repugnante e sanguinário, que se divertia especialmente a torturar as crianças. Quando maltratava mulheres e elas lhe imploravam que parasse por terem crianças ao colo, ele muitas vezes arrancava-lhas dos braços e ora as partia em duas metades, ora as agarrava pelas pernas e batia-lhes com a cabeça na parede, para depois atirar para longe os corpos".
 YANKEL WIERNIK, SOBREVIVENTE DE TREBLINKA

Os pirilampos acenderam-se de repente. Os bambus floresceram de repente. Os vampiros acordaram de repente.

Canalhas. Mil vezes canalhas.



Playground Twist Siouxsie & The Banshees Official

Liberation of Auschwitz 

Seis anos depois ..

... "lembrar Irene Sandler que arriscou a sua vida para salvar milhares de pessoas de uma versão do socialismo: o Nazismo."

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