sábado, 29 de março de 2014

Taqiyya made in Portugal

Há quase um ano atrás o blog casa das aranhas publicou "alguns esclarecimentos sobre o islão".

Quem estiver interessado pode ver o original aqui.

Ora, o título foi bastante mal escolhido. Um título mais adequado ao material lá propagandeado seria, por exemplo "aldrabices feitas para enganar pessoas ingénuas e mal-informadas". Ou "branqueamento do islão". Ou ainda "fábulas de António Santos". Podia ficar aqui todo o fim-de-semana que não me faltariam títulos mais apropriados, mas não é para isso que aqui estou. Já que mais ninguém o fez, ficam aqui os esclarecimentos aos esclarecimentos sobre o islão:



1º-Segundo o Sagrado Alcorão,matar-se uma pessoa é o equivalente a matar-se a Humanidade,salvar-se uma pessoa é como salvar-se a Humanidade;

 Muito bonito, não é? Muito pacífico, e um clássico dos apologistas islâmicos. Mas vamos lá olhar para o verso em contexto. Vou usar a tradução portuguesa disponível aqui

corão, 5:32: - Por isso, prescrevemos aos israelitas que quem matar uma pessoa, sem que esta tenha cometido homicídio ou semeado a corrupção na terra, será considerado como se tivesse assassinado toda a humanidade. Apesar dos Nossos mensageiros lhes apresentarem as evidências, a maioria deles comete transgressões na terra.


O 5:32 refere-se explicita e inequivocamente aos israelitas - ou seja, aos judeus. Não é destinado a toda a gente do mundo e certamente não deve ser erradamente representado como se fosse o comando de maomé aos muçulmanos. Mesmo que fosse esse o caso, ainda tem duas cláusulas de escape: "cometido homicídio" ou "semeado a corrupção na terra". Semeado a corrupção na terra? É uma descrição vaga, não é? Vamos lá pensar um bocadinho. Terroristas islâmicos consideram que a América e a Europa andam a semear corrupção no mundo islâmico (por exemplo, Boko Haram, cujo nome vem do arábico para "a educação ocidental ou não-islâmica é um pecado"). Logo, ataques terroristas contra os EUA ou países europeus são justificados.

Mas como se isso não fosse óbvio só pelo próprio verso, vejamos o que diz o seguinte, 5:33:



corão 5:33 - O castigo, para aqueles que lutam contra Deus e contra o Seu Mensageiro e semeiam a corrupção na terra, é que sejam mortos, ou crucificados, ou lhes seja decepada a mão e o pé opostos, ou banidos. Tal será, para eles, um aviltamento nesse mundo e, no outro, sofrerão um severo castigo.

Este verso refere-se aos muçulmanos (notem que os verbos passaram do pretérito perfeito para o presente simples). O castigo para quem semeia a corrupção está inequivocamente descrito: execução, crucificação, mutilação ou exílio. Este é o comando dado aos muçulmanos. Está esclarecido que não significa aquilo que os muçulmanos (ou maomedanos - seguidores de maomé) dizem que significa. De facto, significa quase o inverso. É assim perfeitamente claro que muçulmanos e apologistas islâmicos retiram o verso do contexto (aliás, apenas usam uma pequena parte do verso) para fazer o islão parecer pacífico. Ironicamente, a fazerem isso, estão a espalhar corrupção na terra, já que segundo o corão 5:13:


Porém, pela violação de sua promessa, amaldiçoamo-los e endurecemos os seus corações. Eles deturparam as palavras(do Livro) e se esqueceram de grande parte que lhes foi revelado; não cessas de descobrir a perfídia de todos eles, salvo de uma pequena parte; porém, indulta-os e perdoa-lhes os erros, porque Deus aprecia os benfeitores.


Esquecer-se de uma parte do que lhes foi revelado e deturpar as palavras do livro. É o que fazem pessoas como o sr. António Santos quando usam uma parte de um verso para fazer parecer que o corão diz o contrário do que diz na realidade.



2º-O Islão é perfeito isto porque é uma religião para todo o Mundo,porém os muçulmanos são falíveis como todos os seres humanos;

O islão é perfeito porque é uma religião para todo o Mundo? Então porque é que as orações têm obrigatoriamente de ser feitas em arábico para serem consideradas válidas? Se é a religião perfeita porque é que os países islâmicos que não tiveram a sorte de estarem em cima de reservas de petróleo são buracos miseráveis com um registo terrível no que diz respeito a direitos das mulheres, direitos de minorias étnicas e religiosas e educação? Quanto mais islâmico um país é, pior fica. Coincidência? Os muçulmanos são falíveis? Isso é para desculpar os terroristas que usam citações do corão para explicar porque decidiram chacinar um soldado inglês em pleno dia ou para desculpar os muçulmanos que não sabem o que diz nos seus textos religiosos?




3º-Não confundam Islão com terrorismo,pois os terroristas servem-se do islão para alcançar os seus verdadeiros objetivos;

A sério? Bem, qual era o objectivo de bin Laden ao mandar as torres abaixo? Qual foi o objectivo dos assassinos do soldado Lee Rigby? Qual foi o objectivo dos irmãos Tsarnaev ao fazerem explodir as bombas na maratona de Boston? Não, o islão não é um meio para um fim, é o motivador.




-Bin Laden e outros terroristas tem tão pouco Islão quanto Breivik que fez o que fez dizendo-se fundamentalsita Cristão,de que aliás tinha pouco,os Papas de ordenaram as Cruzadas,em como os que ordenaram a Contra-Reforma;


O bin Laden citou o corão e lei islâmica como a sua motivação para fazer o que fez. Ele atacou não-muçulmanos porque é o que dizem o corão, as ahadith e o exemplo de maomé. Onde é que o Breivik fez o mesmo? A al-Qaeda é uma enorme organização multinacional, se de facto o bin LAden estava a ir contra o islão como é que os seus financiadores e colaboradores não o corrigiram? Em que se baseia para dizer que "Bin Laden e outros terroristas tem tão pouco Islão"? Quanto às Cruzadas, foram uma reacção tardia e em pequena escala a quase 5 séculos de agressões muçulmanas contra nações cristãs.


5º- O Alcorão diz que uma pessoa só em caso de ataque é que se pode e deve defender,mas o contrário não se pode fazer,pois o terrorismo é pecado inaceitável perante Allah (swt);

Diz isso onde? O capítulo 9 do corão foi o último grande capítulo a ser revelado. Nota para quem não sabe: o corão não está dividido por ordem cronológica mas sim por extensão de capítulos do maior para o menor (exceptuando o 1º). No entanto, a biografia (sunnah e sira, ou seja, o exemplo que maomé deixou para os muçulmanos) e hadith (dizeres de maomé, plural = ahadith) também faz parte dos textos sagrados islâmicos. Aliás, o corão apenas pode ser compreendido através da sunnah e ahadith, que dizem quando e porquê cada verso do corão foi revelado. Mas voltando ao capítulo 9, verso 5 (vou socorrer-me da tradução portuguesa do dr. Helmi Nasr):


9:5 - E, quando os meses sagrados passarem, matai os idólatras, onde quer que os encontreis, e apanhai-os e sediai-os, e ficai a sua espreita, onde quer que estejam.

Matai-os onde quer que os encontrais? Apanhai-os? Sediai-os? Ficai à sua espreita? São tácticas designadas para causar terror.

Quando ao argumento de que o corão apenas permite luta em auto-defesa, aqui fica o corão, 9:29:

9:29 - Dentre aqueles, aos quais fora concedido o Livro, combatei os que não crêem em Allah nem no Derradeiro Dia, e não proíbem o que Allah e o seu Mensageiro proibiram, e não professam a verdadeira religião; combatei-os até que paguem al jizyah, com as próprias mãos, enquanto humilhados.

Combatei quem? Aqueles que vos atacaram primeiro? Não, aqueles que não crêem em Alá. Até quando? Até que deixem de vos atacar? Não, até que paguem a jizyah (um pesado imposto que não muçulmanos pagam para poderem sobreviver em nações muçulmanas) enquanto humilhados.

Mais corão, mais glorificação do terror:

8:12: - E de quando o teu Senhor revelou aos anjos: Estou convosco; firmeza, pois, aos fiéis! Logo infundirei o terror nos corações dos incrédulos; decapitai-os e decepai-lhes os dedos!

33:26: - E Ele desalojou de suas fortalezas os adeptos do Livro, que o apoiaram, e infundiu o terror em seus corações. Matastes uma parte e capturastes outra.

59:2: - Foi ele Quem expatriou os incrédulos, dentre os adeptos do Livro , quando do primeiro desterro. Pouco críeis (ó muçulmanos) que eles saíssem dos seus lares, porquanto supunham que as suas fortalezas os preservariam de Deus; porém,Deus os açoitou, por onde menos esperavam, e infundiu o terror em seus corações; destruíram as suas casas com suas próprias mãos, e com as mãos dos fiéis. Aprendei a lição, ó sensatos!


3:151: - Infundiremos terror nos corações dos incrédulos, por terem atribuído parceiros a Deus, sem que Ele lhes tivesse conferido autoridade alguma para isso. Sua morada será o fogo infernal. Quão funesta é a morada dos iníquos!

 O que pensava maomé de usar terror contra os seus inimigos:

Sahih Bukari, Volume 4, Livro 52, número 220:


Narrou Abu Huraira:
O apóstolo de Alá disse "Fui enviado com as mais curtas expressões tendo os mais largos significados, e fui tornado o vencedor através do terror"

Portanto, seguindo o sr. António Santos, o corão proíbe o terrorismo e apenas permite combate em caso de auto-defesa. Mas lendo o corão concluímos que diz exactamente o contrário do que o sr. António Santos afirma.



6º-Segundo o Alcorão os Povos do Livro (Judeus e Cristão) devem ser respeitados,não só por terem um Livro Sagrado,mas também por serem monoteistas;


Muito bem, vamos lá ver o que diz a revelação final do corão em relação aos judeus e cristãos.


9:29 - Dentre aqueles, aos quais fora concedido o Livro, combatei os que não crêem em Allah nem no Derradeiro Dia, e não proíbem o que Allah e o seu Mensageiro proibiram, e não professam a verdadeira religião; combatei-os até que paguem al jizyah, com as próprias mãos, enquanto humilhados.

Judeus e cristãos são para combater porque não acreditam em Alá e não aceitam maomé como profeta. Mas o sr. António Santos diz que o corão afirma que os judeus e cristão são monoteístas. Vamos ver o que diz o corão:

9:30 - E os judeus dizem "Uzair é filho de Allah". E os cristãos dizem "O Messias é filho de Allah". Esse é o dito de suas bocas. Imitam o dito dos que, antes, renegaram a Fé. Que Allah os aniquile! Como se distanciam da verdade!

9:31 - Tomam seus rabinos e seus monge spor senhores, além de Allah, e, assim também, ao Messias, filho de Maria. E não se lhes ordenou senão adorarem um Deus único. Não existe deus senão ele. Glorificado seja Ele, acima do que idolatram



3:151 - Infundiremos terror nos corações dos incrédulos, por terem atribuído parceiros a Deus, sem que Ele lhes tivesse conferido autoridade alguma para isso. Sua morada será o fogo infernal. Quão funesta é a morada dos iníquos!

 
No seguimento do 9:29, aqui ficam as razões para os muçulmanos lutarem contra judeus e cristãos: acusam-nos de serem politeístas e adorarem o rabinos, monges e o Messias (Jesus Cristo) como se fossem iguais a Alá. Ou seja, de acordo com o corão e a ortodoxia islâmico, judeus e cristãos são politeístas. Associar parceiros a Alá é o mais grave pecado no islão. Mas, segundo o sr. António Santos, o corão diz que judeus e cristãos são monoteístas e devem ser respeitados.




7º-Todos os Profetas da Biblía e da Torá estão reconhecidos pelo Alcorão,incluindo Jesus (saws),que apesar de não ser reconhecido como filho de Allah (swt) nem como tendo sido crucificado mas também é enormemente reconhecido,foi o Profeta predecessor de Muhammad (saws);


Mais uma vez, não é bem assim. De facto, no corão estão algumas figuras cujos nomes e histórias se assemelham a profetas bíblicos. Mas é só isso. Os detalhes das figuras e das suas histórias variam grandemente do que está nos textos cristãos e judeus, sendo que o corão tem mais profetas que a bíblia. Por exemplo, tal como o sr. António Santos diz, Jesus (Isa, no corão) não é considerado o filho de Deus nem acreditam que ele morreu na cruz e ressuscitou. Ora, não há denominação cristã alguma que não considere Jesus como sendo o filho de Deus, e a morte e ressurreição são a prova da sua divindade. Ou seja, o corão nega a fé cristã como uma heresia. Segundo a bíblia, Adão foi o primeiro homem. Segundo o corão, Adão também foi um profeta islâmico. Noé na Bíblia foi um patriarca ante-diluviano. No corão foi um profeta islâmico.

As próprias histórias têm pouco em comum. Por exemplo, na Bíblia Moisés foi falar com o faraó para deixar o seu povo partir. O Faraó recusou-se e Deus enviou 10 pragas ao Egito. No corão, Moisés foi falar com o faraó para que este adorasse alá. Este recusou-se e moisés lançou 7 ou 8 pragas ao Egito.
Noé na Bíblia foi um patriarca ante-diluviano cuja moralidade levou a que fosse escolhido por Deus para sobreviver ao dilúvio enviado para castigar os pecadores. No corão foi um profeta islâmico que tentou converter os seus conterrâneos ao islão, mas estes rejeitaram-no como profeta o que levou alá a castigá-los com um dilúvio. Segundo a Bíblia, David cometeu vários pecados e Noé bebia em excesso. Segundo o corão, excepto maomé, nenhum profeta cometeu um pecado, todos viveram vidas perfeitas. Se o corão reconhecesse os profetas e narrativas bíblicas como estão na bíblia então não seria o corão, seria a bíblia. As versões islâmicas de histórias bíblicas têm um denominador comum: há um profeta rejeitado pelos seus conterrâneos, o que leva alá a castigá-los. Curiosamente, maomé pregou em Meca durante +/- 13 anos convertendo +/- 150 pagãos, sendo que os seus conterrâneos não o reconheciam como profeta.

Dizer que os profetas da bíblia e da torah são reconhecidos pelo islão é um exercício de cinismo já que o islão foi buscar "inspiração" (entenda-se: plagiar) precisamenteà torah e à bíblia.

Não sei como é que o sr. António Santos chegou às conclusões que chegou após ler o corão, mas das três uma: ou fez copy/paste de algum lado sem saber do que falava, ou leu o corão de olhos fechados, ou está a mentir para fazer o islão parecer pacífico e inofensivo...


2 comentários:

  1. Excelente artigo, caro companheiro de blog!

    Estes apologistas do Islão confundem sempre as coisas - de forma deliberada, obviamente. Para quem é diariamente massacrado, torturado e perseguido pelos chamados "islamistas radicais", nenhum diferença faz o que o Islão seja ou deixe de ser. O que conta é que (mesmo dando de barato que seja assim, apesar de não ser) há uma facção do Islão que mata mais gente num ano do que a Inquisição matou em 350, quando matar era o prato do dia para a Humanidade de então.

    E quem diz matar, diz estropiar, torturar, violar, perseguir, profanar, oprimir, aterrorizar, etc., etc.. A tal facção moderada do Islão (de que todos falam mas que ninguém vê), só condena a violência quando é confrontada com as evidências, quando é questionada. Aí sim, dizem que são os outros, os muçulmanos maus, os que não compreendem o Islão.

    E porque é que os muçulmanos "bons", os que são contra a violência, não se juntam a nós na condenação, porque é que os clérigos muçulmanos não tomam posições públicas fortes, decisivas, inequívocas, de condenação da violência?

    Todos sabemos a resposta. Está no título deste post!

    E porque é que o Islão não se reforma? Praticamente todas as religiões do mundo (do Ocidente, do Oriente e do Médio Oriente), se reformaram. Todas as religiões reconhecem que os tempos mudam, e sabem distinguir o que é eterno do que é de cada época. E vão abolindo costumes que com o passar do tempo se tornam bárbaros (guerras santas, castigos corporais, pena de morte, etc.). O Islão, não. O Islão considera-se, na sua totalidade, perfeito e imutável.

    Como nós todos gostaríamos de ver um Islão reformado, que abandonasse a jihad, o terrorismo e a morte em nome de Allah, que deixasse de perseguir os "infiéis", de oprimir as mulheres, de sacrificar as crianças como bombistas suicidas ou como noivas infantis... tanta barbárie que inexplicavelmente nem eles mudam, nem os esclarecidos ocidentais condenam -. antes pelo contrário!

    Se bem que as coisas estejam a mudar. Os partidos considerados de extrema-direita estão a vencer eleições e a crescer em toda a Europa como reacção à islamização do nosso continente. Se as facções radicais que eles encerram vierem a causar danos nas nossas democracias, a culpa será dos grandes partidos, dos partidos e dos políticos do sistema, que optaram pela capitulação perante o Islão.

    José de Jesus

    ResponderEliminar

Seja bem-vindo a esta caixa de comentários quem vier por bem.