sábado, 12 de novembro de 2016

Leonard Cohen: "Estou pronto, Senhor"

Canadiano e judeu, Leonard Cohen ilustra a adaptabilidade judaica e o seu gosto pela Palavra. Morreu esta quinta-feira, após uma vida cheia de criatividade e paixão.

Leonard Cohen, o grande poeta da canção, morreu
Le Figaro, via EUROPE-ISRAEL, com tradução livre

O cantor canadiano morreu aos 82 anos de idade. A sua partida foi anunciada na página do Facebook do músico. No seu último álbum, "Darker You Want It", lançado no mês passado, ele falou da morte e mostrou-se muito marcado pelo desaparecimento da sua musa Marianne Ihlen.
Todas as Suzanne do mundo estão de luto. "É com profunda tristeza que anunciamos que o lendário poeta, autor e artista, Leonard Cohen, faleceu", podia ler-se na sua página do Facebook, esta quinta-feira, às 8:35 de Montreal. "Perdemos um dos visionários mais famosos e prolíficos". No mesmo post informava-se que será realizada uma cerimónia em sua homenagem, em Los Angeles, nos próximos dias. Não foi especificada a causa da morte.

Leonard Cohen: após a morte da sua musa, disse estar "pronto para morrer".

   

O cantor sofria de alguns problemas físicos há alguns anos. Sofreu múltiplas fracturas da coluna vertebral, e nos últimos meses alternava momentos de desânimo e esperança, muito marcado pelo desaparecimento da sua musa Marianne Ihlen - a da música "So Long, Marianne".
 

Leonard Cohen, David Crosby, Van Morrison ... O regresso dos veteranos.

A seu lado esteve sempre o filho Adam, 44 anos, colaborador no seu último disco. (...) Se o homem estava cada vez mais frágil, a sua voz nunca foi tão grave e profunda como nestas oito novas canções. "Uma voz como a dele ocupa muito espaço na mistura", explicou Adam. "Não tivemos alternativa que não purificar o acompanhamento ao máximo". Ao contrário das produções frias e tecnológicas de Cohen entre o final dos anos 1980 e o início deste século,"Darker You Want It" renova o som orgânico de seus registos históricos.
Este álbum foi pacientemente montado em Los Angeles, na casa de Cohen, impedido de se mover por problemas nas costas. Entrou em colapso após o desaparecimento da sua amiga Marianne Ihlen, e escreveu textos profundamente comoventes, abordando a mortalidade ainda mais do que o costume. "Estou pronto, meu Senhor", canta na faixa-título
Nunca o autor tinha sido tão prolífico como recentemente: desde "Old Ideas" em 2012 e "Popular Problems", dois anos mais tarde, (...). Um verdadeiro tesouro, a que o The New Yorker recentemente dedicou um longo artigo, em que Bob Dylan em pessoa prestou tributo a Leonard Cohen. Isso foi antes de Dylan ter recebido o Prémio Nobel da Literatura, desencadeando uma polémica estéril, com base em: "Cohen seguramente merecia mais essa distinção".
Questionado sobre a honra dada ao seu velho amigo, o canadiano teve estas palavras: "Dar o Nobel a Dylan, é como dizer que o Monte Evereste é uma montanha grande".
Óbvio, realmente. Para o inferno com as controvérsias, havia muito espaço para estes dois génios da Palavra no mundo da música.

Quinta-feira, dezenas de fãs reuniram-se espontaneamente para o homenagear, em frente da sua casa, em Montreal. Nos degraus de pedra na entrada da casa de tijolo, fileiras de velas foram acesas e algumas flores foram depositadas, bem como um chapéu do modelo que ele amava. (...)


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