quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Papa Francisco: "Negar o direito de existência de Israel é anti-semitismo"

O Presidente do Congresso Mundial JudaicoRonald S. Lauder (esq.) com o Papa Francisco e representantes do Congresso, no Vaticano, em 28 de Outubro de 2015.

Papa diz que negar o direito de existência de Israel é anti-semitismo

Via Times of Israel:

No 50º aniversário do documento-marco que transformou as relações entre católicos e judeus, Francisco instou à cooperação inter-religiosa para promover a paz.


O Papa Francisco marcou o 50º aniversário do ponto de viragem nas relações da Igreja Católica com os judeus na quarta-feira com uma condenação acutilante do anti-semitismo, dizendo que os ataques contra o direito de Israel de existir são uma forma de ódio.


"Atacar judeus é anti-semitismo, mas o ataque à legalidade do Estado de Israel também é anti-semitismo", disse Francisco  perante uma delegação do Congresso Mundial Judaico (WJC). "Pode haver divergências políticas entre os governos e sobre questões políticas, mas o Estado de Israel tem todo o direito de existir em segurança e prosperidade."


Francisco apelou a uma maior colaboração inter-religiosa em face do extremismo religioso. O Papa
 dedicou a audiência geral das quartas-feiras a explicar aos fiéis católicos na Praça de São Pedro a importância da  declaração "Nostra Aetate", ou "No Nosso Tempo", que revolucionou as relações da Igreja, em particular, com os judeus.


A declaração foi um dos documentos mais importantes que saíram do Concílio Vaticano II, o importante ciclo de reuniões de 1962-65 que trouxe a Igreja para o mundo moderno. O Concílio concluiu
que a morte de Cristo não pode ser atribuída aos judeus como um todo, reconheceu o património espiritual compartilhado entre cristãos e judeus e condenou todas as formas de anti-semitismo.

Judeus, muçulmanos, hindus e budistas, estiveram presentes nos lugares VIP da Praça de S. Pedro e foram recebidos em audiência privada com o Papa após a audiência geral. O Congresso Judaico Mundial enviou grande delegação, uma vez que os seus líderes decidiram realizar a sua conferência anual em Roma, para coincidir com a efeméride.


Nas suas observações, Francisco disse que a declaração tinha transformado as relações entre católicos e judeus "de indiferença e oposição, em colaboração e boa vontade. De inimigos e estranhos, tornámo-nos amigos e irmãos".


O Papa lamentou que a ascensão do terrorismo tenha fomentado suspeita e condenação sobre a religião em geral. E disse que, sendo certo que nenhuma religião está imune a fundamentalistas, o mundo deve olhar de preferência para os "valores positivos" que as religiões promovem, especialmente o cuidado com os mais necessitados.


"Podemos caminhar juntos, cuidando uns dos outros e da Criação", disse.


O presidente da WJC, Ronald S. Lauder, elogiou o Papa pelas suas declarações contra o anti-semitismo e disse que o pontífice "inspira as pessoas com o seu calor e sua compaixão. O s
eu apoio claro e inequívoco ao povo judeu é fundamental para nós."
O Rabino David Rosen, do American Jewish Committee, um parceiro de longa data no diálogo inter-religioso com o Vaticano, lembrou numa entrevista com os repórteres que a "Nostra Aetate" foi aprovada após os horrores do Holocausto, quando a Igreja Católica foi forçada a passar por um "acerto de contas da alma" sobre a sua relação com o povo judeu.

"Mesmo não tendo sido esta tragédia uma iniciativa da Igreja - D
eus nos livre! - ela, no entanto, só poderia ter ocorrido por causa de 2.000 anos de demonização dos judeus", disse ele.(...)
A lição a ser aprendida, concluiu, é que, se uma relação tão tóxica, de 2.000 anos de idade, pôde ser transformada numa amizade maravilhosa, que é agora uma parte intrínseca da Igreja Católica, "então não há nenhuma relação, não importa o quão má e envenenada ela esteja, que não possa ser transformada numa relação bem-aventurada".

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Sugestões de leitura, do famoso Blog do Canhoto:



Habemus "chaver" no Vaticano

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