quarta-feira, 7 de junho de 2017

Não, o problema em Londres não é "Extremismo Islâmico"



 
Primeira Ministra Theresa May falando no 10 de Downing Street, 4 de Junho, 2017.

Os muçulmanos querem impor a lei da sharia no Ocidente - o que significa que todos os islâmicos são "extremistas". A esquizofrenia ocidental sobre o islamismo radical está em plena exibição na Grã-Bretanha, após as últimas atrocidades jihadistas, o terceiro ataque nos últimos três meses. 
Três terroristas atiraram uma carrinha contra uma multidão na London Bridge, e depois, em fúria, atacaram brutalmente os pedestres enquanto se esforçavam para que cada golpe matasse um infiel "para Alá". 
Teresa May pôs o seu chapéu da primeira ministra para anunciar que o seu governo "lidera os principais esforços internacionais para derrotar a ideologia do extremismo islâmico em todo o mundo". 
May também ajustou os seus óculos cor de rosa e proclamou que o "extremismo islâmico é uma ideologia que prega o ódio, semeia a divisão e promove o sectarismo". 
E que o "extremismo islâmico" é uma ideologia que afirma que os nossos valores ocidentais de liberdade, democracia e direitos humanos são incompatíveis com a religião do Islão. 
E como poderia o discurso de político ocidental politicamente correcto estar completo sem a insistência de May de que esta ideologia é (digam todos connosco!...) - "uma perversão do Islão e uma perversão da verdade"?

(Suspiro).

O que sabe Theresa sobre o Islão, para decidir o que é e o que não é uma perversão do Islão? Muito pouco, apostamos. Caso contrário, ela não balbuciaria sobre o "extremismo islâmico", um termo vindo directamente do Departamento de Redundâncias. 
Se você é um islamista no Ocidente, você é, por definição, um extremista. Um islamista é um muçulmano que acredita que o Islão exige a imposição da sharia, do antigo sistema societário totalitário e do código legal do Islão. 
"Islamista" é um termo que usamos no Ocidente, com a esperança de que, por haver muçulmanos que são pessoas tolerantes e pró-ocidentais, não deve ser inevitável que o próprio Islão - ou pelo menos algumas interpretações do Islão - seja fundamentalista, literalista e supremacista.


 

Pode ser um grave erro adoptar essa esperança, especialmente porque foi elevada a uma política aparentemente irreformável. A existência incontestável de indivíduos muçulmanos moderados traduz-se necessariamente numa doutrina coerente e viável de islamismo moderado? 
O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, para citarmos apenas um líder muçulmano muito influente, diz que não: a invocação do "Islão moderado" pelo Ocidente é "feia", diz ele, porque "o Islão é o Islão, e mais nada". 


Erdogan é um apoiante da Irmandade Muçulmana e do ISIS.

Erdogan é um aliado próximo da Irmandade Muçulmana, a organização islâmica mais influente do mundo. Se ele está certo de que existe apenas um verdadeiro Islão, tenha a certeza de que esse Islão não é amigável com o Ocidente. Erdogan descreve o chamamento ocidental para que os imigrantes muçulmanos se assimilem nas suas novas sociedades europeias como "um crime contra a Humanidade". 
Enquanto isso, muitos estudiosos do Islão observam que a agressividade, a intolerância com os não-muçulmanos e a subjugação de mulheres, são indiscutivelmente enraizadas nas escrituras islâmicas. Onde houver Islão, inevitavelmente haverá islamistas. E quando esses islamistas atingem uma massa crítica de população (que pode ser consideravelmente inferior a 50%), inevitavelmente haverá activismo da sharia. 
Eles podem estar certos. Nós não queremos que eles estejam. Mas a esperança não é uma estratégia de segurança nacional - mesmo que tenha sido a estratégia de segurança nacional do Ocidente por um quarto de século. 
Obviamente, existem gradações de extremismo. Alguns islamistas são jihadistas violentos. Alguns apoiam os jihadistas violentos, mas evitam a própria violência. Alguns podem rejeitar a violência (ou pelo menos dizer que o fazem) e pretendem buscar a imposição da sharia apenas pela persuasão pacífica. Alguns podem mentir sobre as suas intenções, fingindo opor-se à violência e à imposição da sharia, ou fingindo que a sharia é realmente moderada, pacífica e perfeitamente compatível com as noções ocidentais de liberdade, democracia e direitos humanos. Mas todos eles querem sharia. 
Se você é um muçulmano que quer que a lei britânica seja suplantada pela lei islâmica, essa não é uma posição moderada, mesmo que você não esteja preparado para atirar uma carrinha contra uma multidão de infiéis. Se é daí que você vem, você é um extremista muçulmano - um islamista.
Falar de "extremistas islâmicos" é um absurdo, ou uma forma de correcção política projectada para ocultar uma posição que se sabe que não faz sentido, mas que alguém se sente obrigado a adoptar.
Como acreditamos que a primeira-ministra May não é ignorante, apostamos na última: ela usa o termo "extremistas islâmicos" como código para "terroristas", embora ela saiba, no fundo, que isso não faz sentido.

Os terroristas jihadistas não matam sem motivo. Eles matam para um fim: a saber, para impor a sharia.

A ideologia que os motiva não endossa a violência pela violência. A violência destina-se a que o Islão cumpra o imperativo divino de que a vida seja vivida sob as restrições da sharia. Essa é a ideologia.
O problema que a S.ra May tem é que essa é uma ideologia compartilhada por muitos muçulmanos que não são terroristas. A Grã-Bretanha, como muitos na América, quer abraçar esses muçulmanos como "moderados", apesar da sua hostilidade contra a sociedade e contra as lei ocidentais.
Theresa May prefere não reconhecer que os muçulmanos, mesmo que não sejam jihadistas, são pilares do sistema de apoio ideológico em que o jihadismo prospera - eles são, como alguns disseram, o mar no qual os tubarões jihadistas nadam. E sem o qual os tubarões não poderiam sobreviver.
Não são apenas a Al Qaeda ou o Estado Islâmico que dizem que o Islão é incompatível com a compreensão ocidental dos direitos humanos. Em 1990, os 57 governos-membros da Organização da Conferência Islâmica (agora renomeada Organização de Cooperação Islâmica) emitiram a Declaração do Cairo dos Direitos Humanos no Islão.
Esses representantes dos 1,6 biliões de muçulmanos do mundo tomaram essa iniciativa precisamente porque o Islão não podia aceitar a chamada Declaração Universal de Direitos Humanos promulgada em 1948 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, que  é incompatível com as duas principais disposições da Declaração do Cairo: o artigo 24, que afirma: "Todos os direitos e liberdades estipulados nesta Declaração estão sujeitos à Shari'ah islâmica"; e o artigo 25, que acrescenta: "A Shari'ah islâmica é a única fonte de referência para a explicação ou esclarecimento de qualquer dos artigos desta Declaração".


O entendimento ocidental de liberdade e democracia sustenta que as pessoas têm o direito de se governar. Traçamos uma linha entre o secular e o sagrado, rejeitando o estabelecimento de uma religião de Estado. Pelo contrário, como explicado pelo Xeque Yusuf al-Qaradawi, talvez o estudioso da sharia sunita mais influente do mundo, "o secularismo nunca pode ter aceitação geral numa sociedade islâmica", porque "a aceitação do secularismo significa o abandono de Shari'ah, a negação da orientação divina e a rejeição das injunções de Alá".
Qaradawi elaborou (no seu livro, "Como as Soluções Importadas Prejudicaram Desastrosamente a Nossa Umma"): "O Islão é um sistema abrangente de trabalho (Ibadah) e legislação (Shari'ah)". Declarou ele: "O apelo ao secularismo entre os muçulmanos é o ateísmo e a rejeição do islamismo. Um governo que não se baseie na  Shari'ah é uma pura apostasia".
Para que não nos esqueçamos, a apostasia do Islão é uma ofensa capital na lei islâmica. É punido como tal não apenas por organizações terroristas, mas por governos em países com maioria muçulmana. No Médio Oriente, pelo menos, a sharia não é considerada Islão extremista. É o Islão.

Jovem muçulmano que deixou o Islão para se converter ao Cristianismo é degolado, na Tunísia. Isto não é"extremismo" nem "doença mental", nem "reacção à pobreza" ou outros absurdos ocidentais - é o Islão:

 

Por isso,  primeira-ministra May, não é "extremismo islâmico" que é incompatível "com os nossos valores ocidentais de liberdade, democracia e direitos humanos". É a própria religião do Islão. Quem o afirma são líderes dos governos islâmicos e os líderes religiosos islâmicos.
Não é preciso concordar com eles ou reconhecer que a deles é a única interpretação do Islão. Mas deve-se conceder que a sua interpretação não é uma perversão - e que eles sabem muito mais sobre o assunto do que os políticos não-muçulmanos no Ocidente.
A Sra. May está meio certa. Somos confrontados com uma ideologia. Mas é o supremacismo da sharia, a crença de que a lei islâmica deve ser imposta à sociedade. Limitar a nossa atenção aos jihadistas violentos é queremos ficar voluntariamente cegos ao que inspira os jihadistas. Isso é o que tem de ser confrontado, se é que temos o estômago para isso.
Fonte.



Reflicta:

Aos 12 dias do Ramadão de 2017, 67 ataques em nome do deus Alá e 712 mortos (dos ataques que chegam ao conhecimento público):


Mais nenhuma religião atacou ou matou ninguém. Os muçulmanos acreditam genuinamente que devem matar por Alá, e que ao fazê-lo, estão a fazer um favor ao Mundo, espalhando a Verdade.
Como pode haver quem defenda o direito de esta ideologia ser pregada no Mundo Livre? Como pode haver quem defenda que temos a obrigação de dar abrigo e alimentar os nossos carrascos, que chegam mascarados de "refugiados"?

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