terça-feira, 27 de setembro de 2016

Porque é que os media diabolizam Trump - 1


As 7 propostas de Donald Trump que os grandes media escondem da população
Ainda há poucas semanas - a pouco mais de 2 meses da eleição presidencial de 8 de Novembro próximo nos Estados Unidos - todas as sondagens davam Hillary Clinton, a candidata do Partido Democrata, como vencedora. Parecia óbvio que, apesar dos preconceitos chauvinistas, Clinton seria a primeira mulher a ocupar o Salão Oval da Casa Branca e a segurar as rédeas da maior potência do nosso tempo.
O que aconteceu com o candidato republicano, o mediático Donald Trump, para quem se previa um sucesso "irresistível"? Porque é que ele caiu nas intenções de voto? Sete em cada dez americanos declararam não o querer como presidente; e apenas 43% o acharam "qualificado" para a corrida à Casa Branca (65% consideravam, no entanto, que a senhora Clinton é perfeitamente apta para executar essa tarefa). Lembramos que nos Estados Unidos, as eleições presidenciais não são nem nacionais nem directas. Trata-se de 50 eleições locais, uma por Estado, que designam os 538 eleitores responsáveis por eleger, a seu turno, o (ou a) Chefe de Estado. O que relativiza singularmente as sondagens a nível nacional.
Diante de tais maus resultados, no entanto, o candidato republicano Donald Trump decidiu em Agosto passado reformular a sua equipa, e nomeou um novo director de campanha, Steve Bannon, ultra conservador e director do Breitbart News Network. Trump também mudou o seu discurso para se dirigir a dois grupos críticos de eleitores: os afro-americanos e os hispânicos. Conseguirá ele inverter a tendência e vencer na recta final da campanha? Não é impossível. Na verdade, Trump já parece ter, em parte, recuperado o seu atraso em relação à senhora Clinton.
Personagem atípica, com propostas odiosas, grotescas ou sensacionalistas, Trump conseguiu já inverter as chances. Confrontado com pesos pesados como Jeb Bush, Ted Cruz e Marco Rubio, que contavam com o apoio de todo o establishment republicano, poucos analistas davam Trump como possível vencedor das primárias do Partido Republicano. E, no entanto, ele esmagou os seus oponentes, reduzindo-os a cinzas.

Após a devastadora crise de 2008 (de que ainda não saímos), nada será como dantes em nenhum lugar. Os cidadãos estão profundamente desapontados, desiludidos e desorientados. A própria democracia, como modelo, perdeu muito do seu apelo e credibilidade. Todos os sistemas políticos foram abalados até às raízes.
Na Europa, por exemplo, os terremotos eleitorais inéditos sucedem-se, desde a vitória da extrema direita na Áustria até ao Brexit Inglês ou à recente derrota da chanceler alemã, Angela Merkel, na sua Mecklenburg-Vorpommern.

Mas a agitação não se limita à Europa. Basta olhar para a esmagadora vitória eleitoral em Maio, do inclassificável e estrondoso Rodrigo Duterte nas Filipinas ... Todos os grandes partidos tradicionais estão em crise. Estamos a testemunhar em toda parte a subida das forças ruptura, sejam os partidos de extrema-direita (Áustria, países nórdicos, Alemanha, França) ou os partidos populistas e anti-sistema (Itália e Espanha).

Em toda a parte, a paisagem política está a mudar radicalmente. Esta metamorfose chegou agora aos Estados Unidos, um país que já experimentou, em 2010, um populismo devastador, consubstanciado no momento pelo Tea Party. O surgimento do bilionário Donald Trump na corrida para a Casa Branca continua essa onda e é uma revolução eleitoral que ninguém tinha sido capaz de prever. Embora, aparentemente, a velha bicefalia entre democratas e republicanos se mantenha, a ascensão de um candidato tão atípico quanto Trump é um verdadeiro terramoto.
O seu estilo directo, populista, e a sua mensagem maniqueísta e reducionista, buscando os mais baixos instintos de certas categorias sociais, está muito longe do tom habitual dos políticos americanos. Aos olhos dos mais decepcionados da sociedade, o seu discurso autoritário e identitário tem um caráter inaugural quase pioneiro. Um grande número de eleitores está realmente muito irritado com o "politicamente correto"; e acredita que não podemos dizer o que pensamos, por medo de sermos acusados de "racistas". Acham que Trump diz em voz alta o que eles pensam. E acolhem as "palavras livres" de Trump sobre os hispânicos, os afro-americanos, os imigrantes e os muçulmanos com alívio.
A este respeito, o candidato republicano tem sido capaz de interpretar, melhor que ninguém, o que pode ser chamado uma "rebelião das bases". Antes de qualquer outra pessoa, ele percebeu a divisão poderosa que agora separa, por um lado, as elites políticas, económicas, intelectuais e os meios de comunicação; e, por outro lado, a base popular dos eleitores americanos conservadores. O seu discurso anti-Washington, anti-anti-Wall Street, anti-imigração e anti-media, é particularmente atractivo para os eleitores brancos sem instrução, mas também - e isto é muito importante - para todos os que foram deixados para trás à conta a globalização económica.
A mensagem de Trump difere da dos líderes neofascistas europeus. Ele não é um ultra-direitista convencional. Ele define-se como um "conservador com senso comum". No espectro da política tradicional, ele situar-se-ia à direita da direita. Líder de negócios bilionários e estrela popular de reality-shows, Trump não é nem um militante anti-sistema, nem, é claro, um revolucionário. Ele não critica o modelo político em si, mas sim os funcionários que gerem esse modelo.

O seu discurso é emocional e espontâneo. Ele apela aos instintos, "à coragem", não à reflexão ou à razão. Dirige-se a essa porção do eleitorado americano tomado pelo desânimo e pelo descontentamento, às pessoas cansadas do antigo sistema político, dos "privilegiados", da "casta".

A todos aqueles que estão a protestar e a gritar "Fora com eles!" ou "São todos corruptos!", Trump promete injectar honestidade no sistema e renovar os costumes pessoais e políticos.


- Por Ignacio Ramonet via EUROPE-ISRAEL.


CONTINUA

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