segunda-feira, 6 de março de 2017

História de Israel - Construindo um Estado (1950 - 1960)

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Guerra de Independência.


1950 - 1960: Construindo um Estado

Após a vitória na Guerra de Independência de 1948-1949, Israel assinou acordos de armistício com cada um dos países invasores - Egipto, Jordânia, Síria e Líbano. O Iraque recusou assinar um acordo de qualquer tipo com Israel, e mesmo os países que assinaram o cessar-fogo não estavam preparados para assinar um tratado de paz permanente e reconhecer a legitimidade de Israel como país. A soberania de Israel incluía agora a faixa costeira, a Galileia e o Deserto do Neguev, enquanto a Faixa de Gaza permanecia sob controlo egípcio e a Cisjordânia (Judeia e Samaria) e a Cidade Velha de Jerusalém eram governadas pelos jordanos.

Antes e durante a guerra, centenas de milhar de árabes palestinos fugiram de Israel - cerca de 80% da população árabe. A maioria fugiu para a Cisjordânia controlada pela Jordânia ou para países árabes vizinhos. O tema de como lidar com o tremendo número de refugiados foi (e ainda é) um ponto de controvérsia nas negociações de paz.

O renascido Estado independente de Israel teve que enfrentar um fluxo maciço de novos imigrantes. Depois de as portas terem sido abertas após a guerra, milhares e milhares de judeus fizeram Aliyah. Entre 1948 e 1951, mais de 680.000 novos imigrantes chegaram a Israel. No final de 1958, no décimo aniversário de Israel, a população havia crescido de 800.000 para quase dois milhões. Os novos imigrantes eram principalmente sobreviventes do Holocausto e judeus que fugiam das terras árabes devido ao aumento da perseguição. Muitos chegaram com poucas ou nenhumas posses, e foram alojados em ma'abarot (campos de refugiados). Os ma'abarot estavam lotados e não dispunham de instalações sanitárias adequadas para acomodar a enorme população. Eventualmente, os campos foram absorvidos nas cidades circunvizinhas, ou tornaram-se cidades por conta própria. Ma'abarot que se tornaram cidades incluem Kiryat Shmona, Sderot, e Yokneam. Os últimos campos foram fechados em 1963.


As profecias cumpriram-se.

As ondas de imigração - Aliyot - incluíram a Operação Magic Carpet (Tapete Mágico), que transportou aproximadamente 49.000 judeus iemenitas entre 1949 e 1950. Em 1950, a Lei do Retorno foi oficialmente promulgada, permitindo que qualquer descendente matrilinear judeu imigrasse para Israel e obtivesse plena cidadania. Em 1951, a Operação Esdras e Neemias (em homenagem aos sábios que levaram os judeus de volta a Israel para reconstruir o Segundo Templo), trouxeram 114 mil judeus iraquianos para Israel. A maioria dos judeus Cochin da Índia, um grupo de aproximadamente 2.000, imigrou para Israel em 1954.



Operação tapete Mágico: Judeus iemenitas chegam a Israel.


O duplicar da população do jovem país no decorrer de alguns poucos anos causou uma pressão enorme sobre a economia de Israel. A primeira década de Israel é conhecida como Período de Austeridade (Tkufat HaTsena). A fim de prover a população crescente, Israel racionou alimentos, roupas e móveis. O auxílio, porém, entrou no país, principalmente vindo do governo dos EUA, de organizações judaicas em todo o mundo e das indemnizações pagas pela Alemanha do pós-guerra. A última, ocorrida depois de Ben-Gurion ter assinado um acordo de reparação com a Alemanha Ocidental, causou um surto de controvérsia, da parte de muitos judeus que sentiram fortemente que Israel não deveria fazer negócios com a Alemanha.

No final da primeira década de independência, Israel tinha feito grandes progressos na criação de uma nação industrializada moderna. Melhorias e modernização foram feitas em todos os sectores, desde a habitação, à agricultura, ao sistema rodoviário, às telecomunicações, às redes eléctricas. Israel tinha uma frota de navegação crescente e uma companhia aérea nacional (El-Al), e continuou a desenvolver a sua indústria e a explorar os seus recursos naturais.



Plantando as montanhas de Gilboa.


A terra - a mesma terra que os olim (pioneiros) originais partiram para cultivar setenta anos antes - começou a florescer. Israel tornou-se auto-suficiente em quase todas as áreas da produção de alimentos, excepto carne e grãos. Árvores foram plantadas em terras anteriormente áridas, e, como a indústria cresceu, o emprego também aumentou. Durante esse período, o arqueólogo e general Yigael Yadin comprou os Pergaminhos do Mar Morto, originalmente descobertos por um menino beduíno numa caverna perto de Qumran, que ficaram de novo sob propriedade israelita, e alojou-os no Santuário do Livro no Museu de Israel. O sistema educacional cresceu também, e o governo ofereceu instrução livre e gratuita até a idade de dezoito anos. Israel floresceu culturalmente, porque cada grupo de imigrantes trouxe com ele um conjunto único de costumes e tradições.



Cartaz publicitário da companhia aérea de Israel, 1960.



No entanto, embora os negócios e a indústria crescessem, o país ainda estava repleto de problemas de segurança. Diplomaticamente, Israel estava relativamente isolado, já que nenhum de seus vizinhos árabes reconheceria Israel como um país. Os países árabes receberam grandes quantidades de armas da União Soviética e instituíram um boicote contra Israel para desmoralizar e empobrecer o jovem país. Israel procurou combater o isolamento formando alianças com países africanos emergentes e com a França, que se tornou o principal fornecedor de armas de Israel. Apesar de Israel ter assinado acordos de armistício, os tratados não terminaram as hostilidades. Durante a década de 1950, Israel foi frequentemente atacado, principalmente por terroristas "fedayin", que entravam no país através da Faixa de Gaza, ocupada pelo Egipto.



Os ataques dos árabes muçulmanos contra israelitas (assassinatos, estupros, etc.) nunca cessaram, entre 1951 e 1967, desde o século 7 até hoje.


Na década de 1950, os esforços para um tratado de paz com o Egipto foram frustrados quando o Egipto descobriu uma rede de espionagem israelita, que estava a tentar fazer explodir uma agência de informação americana no Egipto, na esperança de criar tensão entre os Estados Unidos e o Egipto. O fracasso, chamado de "Caso Lavon", que recebeu o nome do então ministro da Defesa, Pinhas Lavon, foi um golpe nas relações entre Egipto e Israel.

A relação deteriorou-se ainda mais quando o Egipto bloqueou o Canal de Suez e o Estreito de Tiran, perto de Eilat, impedindo Israel de importar ou exportar bens, o que ameaçava danificar a economia do país. Os ataques terroristas aumentaram, e Israel foi ficando cada vez mais em sobressalto, pois a Península do Sinai estava a ser transformada numa base militar egípcia. Quando o Egipto, a Síria e a Jordânia assinaram uma aliança militar, os temores de Israel foram confirmados.

Em 1956, Israel realizou um ataque preventivo contra o Egipto, com o apoio da Grã-Bretanha e da França. Israel foi rapidamente capaz de capturar a Península do Sinai. No entanto, sob pressão dos Estados Unidos e da União Soviética, Israel retirou gradualmente as suas forças, e a ONU colocou uma força de emergência no terreno (UNEF) para garantir o acesso de Israel aos direitos de navegação.

Durante a década de 1960, Israel continuou a desenvolver os seus negócios e indústria, e o Produto Nacional Bruto aumentou cerca de 10% ao ano. Israel começou a fabricar muitos dos seus próprios produtos, ao invés de depender de importações. No sector agrícola, Israel começou a cultivar para exportação, o início de uma indústria de exportação em expansão. Uma casa permanente para o Knesset (o parlamento israelita) foi construída Jerusalém, e o Museu de Israel aumentou as suas colecções de artefactos únicos da História de Israel. Em termos diplomáticos, Israel também  ganhou terreno, criando laços estreitos com os Estados Unidos, com os países da Commonwealth britânica, com muitos Estados da Europa Ocidental, com a maioria dos países da América Latina e de África, e também com algumas nações asiáticas. Em 1965, Israel estabeleceu relações formais com a República Federal da Alemanha.


O Knesset.


Outro evento notável que ocorreu durante a década de 1960 foi a captura, em 1961, de Adolf Eichmann, que comandou as operações do Holocausto. Foi capturado na Argentina e levado a julgamento em Israel. Durante o seu julgamento, dezenas de sobreviventes do Holocausto apareceram para prestar testemunho como testemunhas oculares, e pela primeira vez, a profundidade da tragédia foi divulgada em todo o mundo. Eichmann foi enforcado em 1962, a única vez que Israel executou a pena de morte. Em 1964, outro grupo de judeus indianos, Bene Israel, foi proclamado judeu e permitido imigrar para Israel.

Em 1966, Israel levantou as restrições aos seus habitantes árabes e começou a tentar integrar a população árabe local na sociedade israelita.

O fim de 1964 trouxe mais guerra e terror às fronteiras de Israel, começando com a fundação da OLP, a organização terrorista de Yasser Arafat, que incentivou e apoiou tácticas de guerrilha contra os israelitas. 


O terrorista egípcio Arafat confraternizando com o líder do  terrorismo global, o Ayatollah Khomeini.
Ver: 

A Mentira Soviético-Palestina


Em 1964, Israel completou os trabalhos do National Water Carrier, que desviaria a água do rio Jordão para o sul de Israel, cumprindo o sonho de Ben-Gurion de cultivar a região do Negev. O aqueduto tornou-se uma fonte de tensão entre Israel e a Síria, com os árabes a tentarem desviar a água para fora do alcance de Israel. As invasões de terroristas pelas fronteiras jordana e egípcia aumentaram, e o Egipto transferiu novamente grande quantidade de tropas para a Península do Sinai e bloqueou o acesso de Israel ao Estreito de Tiran. Israel enfrentou hostilidade em três fronteiras - egípcios, jordanos e sírios.


Trabalhando no aqueduto. Cada qual faz o que faz melhor: judeus constroem, muçulmanos destroem.

Em vez de esperar por um ataque, Israel, agora liderado pelo primeiro-ministro Levi Eshkol, fez um raide preventivo, e no início de uma manhã de Junho de 1967, conseguiu acabar com a maior parte da Força Aérea do Egipto. Em seis dias, as forças israelitas atingiram os três países árabes e conseguiram conquistar os Montes Golan à Síria, a Península do Sinai ao Egipto, e a Cidade Velha de Jerusalém à Jordânia.



Apesar da sua vitória esmagadora na Guerra dos Seis Dias, Israel encontrou-se enfrentando outra guerra - uma Guerra de Atrito. De 1967 a 1970, Israel teve de rechaçar os ataques esporádicos das forças egípcias e da OLP, cujo número aumentou após a fuga dos árabes para a Jordânia durante a Guerra dos Seis Dias. O Egipto estava determinado a recuperar a Península do Sinai, a OLP estava determinada a erradicar a "entidade Sionista", e os ataques levaram a pesados combates, principalmente nas fronteiras do Canal de Suez. 



Bin Laden: "Porque é que o Mundo aprova o teu terrorismo?".
Arafat: "Porque só ataco judeus!".


Israel respondeu aos ataques militares, e ambos os lados sofreram grandes baixas. Durante esta guerra, o primeiro-ministro Levi Eshkol morreu de ataque cardíaco, e foi sucedido por Golda Meir, que foi a primeira mulher primeiro-ministro de Israel, e a única mulher a ter liderado um Estado do Médio Oriente nos tempos modernos. Finalmente, a Guerra do Atrito chegou ao fim em 1970, quando o Egipto e Israel assinaram outro acordo de cessar-fogo. O Egipto não ganhou nada durante a guerra, pois as linhas de cessar-fogo permaneceram as mesmas de 1967.



Damas de Ferro: Golda Meir com a futura Primeira-Ministra da Grã-Bretanha, Margareth Tatcher, em Tel-Aviv, em 1976.


- Publicado também em 'O Melhor do Amigo de Israel'

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