domingo, 28 de outubro de 2018

Entendendo o Massacre de Pittsburgh



O QUE SE PASSOU ESTE SÁBADO

Massacre de judeus em Pittsburgh


Este sábado, enquanto participavam numa cerimónia de nomeação de um bebé, 11 judeus foram assassinados na Sinagoga Árvore da Vida, em Pittsburgh. Oito homens e três mulheres foram mortos. Tinham entre 54 e 97 anos. Alguns eram membros da mesma família. Quatro agentes da Polícia ficaram feridos, bem como muitos outros judeus.

As vítimas mortais são:
Joyce Feinberg, 75; Richard Gottfried, 65; Rose Mallinger, 97; Jerry Rabinowitz, 66; Cecil Rosenthal, 59; David Rosenthal, 54; Bernice Simon, 84; Sylvan Simon, 86; Daniel Stein, 71; Melvin Wax, 88; e Irving Younger, 69.

Os Rosenthal eram irmãos. Bernice e Sylvan Simon eram marido e mulher.

Um grupo de raparigas aguarda o início de uma vigília memorial às vítimas do massacre da sinagoga de Pittsburgh, em 27 de Outubro de 2018. (AP / Gene J. Puskar).



O AUTOR DO MASSACRE
O autor do massacre divulgava propaganda virulentamente anti-semita nas redes sociais, incluindo uma feita pouco antes do ataque.

A Polícia identificou o suspeito como Robert Bowers, 46 anos, de Pittsburgh. Um homem com o mesmo nome postou no site Gab.com na manhã do tiroteio que “o HIAS gosta de trazer invasores que matam a nossa gente. Eu não posso ficar sentado e ver o meu povo ser abatido. Preparem-se, eu vou entrar".

Um homem reage na Sinagoga da Árvore da Vida, onde um atirador abriu fogo no sábado, 27 de Outubro de 2018. (AP / Gene J. Puskar).

Na descrição da sua conta, Bowers escreveu "os judeus são os filhos de Satanás". A foto da capa apresentava o símbolo neo-nazi "1488". Os dois primeiros números referem-se ao slogan da supremacia branca "14 Palavras", e "88" significa "Heil Hitler", já que "H" é a oitava letra do alfabeto.

Robert Bowers, de 46 anos, o autor do massacre na sinagoga, terá postado comentários virulentamente anti-semitas online.

Entre os  seus posts recentes, Bowers postou uma foto de um forno ardente como os usados ​​nos campos de concentração nazis, usados ​​para cremar os judeus, escrevendo a legenda: “Make Ovens 1488F Again” (Ponham os Fornos a 1488º de Novo).
Em outros posts ele também apresentava memes contendo falsas teorias da conspiração sugerindo que o Holocausto - em que cerca de 6 milhões de judeus pereceram - foi uma farsa.
Noutro post ridicularizou Trump, acusando-o de ser “um globalista, não um nacionalista” e acrescentou que “não existe #MAGA” (Façam a América Grande de Novo) enquanto houver uma “infestação” judaica, usando outros termos caluniosos para classificar os judeus.
O mesmo post também faz referência a QAnon, uma teoria de conspiração pró-Trump que começou no quadro de mensagens 4chan e foi divulgada por um elemento marginal dos apoiantes do presidente.






Algumas das mensagens de Bowers, inimigo assumido de Trump.

Bowers também postou recentemente uma foto de uma colecção de três pistolas semi-automáticas negras, a que chamou "a minha família Glock", uma referência ao fabricante austríaco de armas de fogo.
Também postou fotos de buracos de bala em alvos do tamanho de uma pessoa, num campo de tiro, gabando o "gatilho incrível" da sua arma.

Um serviço memorial na Sexta Igreja Presbiteriana, no Bairro Squirrel Hill de Pittsburgh, pelas vítimas do tiroteio na Sinagoga da Árvore da Vida, Sábado, 27 de Outubro de 2018. (AP / Gene J. Puskar)



A SINAGOGA FUNCIONAVA DE PORTAS ABERTAS E SEM GUARDA
A Sinagoga Árvore da Vida não tinha guardas e mantinha as portas abertas a quem quisesse entrar.
O rabino Jeffrey Myers, líder espiritual da congregação onde o terrível tiroteio ocorreu no sábado, no bairro de Squirrel Hill, em Pittsburgh, criticou os líderes políticos por não legislarem melhor sobre o controle de armas.
No blog do site da sinagoga, em post datado de 19 de Julho, Myers escreveu:
"Apesar dos contínuos apelos pelo controle de armas e cuidados com a saúde mental, os nossos líderes eleitos em Washington sabiam que [as exigências de maior controle de armas após o tiroteio na escola de Parkland] iriam desaparecer com o tempo".


O MOTIVO DO MASSACRE


Para além do seu ideário nazi e anti-semita de fundo religioso  (o assassino declarou que "os judeus são filhos do Diabo e que agiu em nome de Jesus"), o motivo directo foi o ódio a uma organização chamada HIAS.
O presidente e CEO Mark Hetfield, disse que não estava ciente da "obsessão do atirador com o HIAS até esta manhã".
O HIAS é um grupo sem fins lucrativos, com sede em Maryland, que ajuda refugiados em todo o mundo a encontrar segurança e liberdade. A organização diz que é guiada pelos valores e História judaica.
O HIAS ajuda refugiados em todo o mundo a encontrarem novos países para viverem.
Um dos países em que o HIAS ajuda refugiados a estabelecerem-se, é Israel:
Refugiados do Darfur em Israel,  com a ajuda da HIAS. Lembramos que Israel tem em percentagem muito mais refugiados que a Europa.

O senhor Bowers quis acreditar na propaganda nazi  e afim, que afirma que Israel não recebe refugiados e os manda para a Europa e para a América.


 O MOTIVO RELIGIOSO


No topo dos tweets de Bowers:

"os judeus são filhos do diabo"
"João, 8:44" "o senhor jesus veio em carne"



Muitas pessoas dizem: "Se os judeus são perseguidos e mortos, por algum motivo deve ser".
Esta passagem do Evangelho de João tem justificado as matanças de judeus e serve na perfeição para culpar as vítimas. Como o Alcorão manda matar judeus e cristãos, deveremos então, a bem do respeito pelas religiões, tolerar a matança?
Jesus Cristo (apontado como Deus juntamente com Deus na Teologia Cristã) aprovará matar judeus ou maltratá-los sem motivo? O Deus de Amor é isso?
Contamos falar mais deste assunto...

VAMOS RACIOCINAR UM POUCO?

Enquanto vos escrevo estas linhas, tenho a TV ligada no canal israelita i24News. A repórter Bianca Zanini (de dupla nacionalidade holandesa e brasileira), está no Brasil a a fazer a cobertura das eleições e a entrevistar pessoas.
Foi entrevistar judeus brasileiros e encontrou uns que são a favor de Bolsonaro e outros (infelizmente, dizemos nós), que são por Haddad.


Bianca Zanini.


Agora imaginemos que os apoiantes de Bolsonaro se metiam a matar judeus porque "os judeus apoiam Haddad" e que os apoiantes de Haddad se metiam a matar judeus "porque os judeus apoiam Bolsonaro".
Faria sentido? Claro que não! Pelo menos para uma pessoa não contaminada pela doença do anti-semitismo...
Quando as pessoas dizem "os judeus" isto ou aquilo, devem ter em conta que os judeus, que são apenas 0,17 ou 0,18% da Humanidade, não são um exército de robots que pensam e se comportam da mesma maneira!
Alguns judeus (poucos) são ricos. Muitos são pobres. Muitos são remediados.
Alguns judeus são laicos, outros são ateus, outros são "não praticantes" e outros (uma minoria) são religiosos, em diferentes graus.
Há judeus heterossexuais e homossexuais, liberais e conservadores, sérios e estouvados, bonitos, feios e assim-assim, cultos, analfabetos e assim-assim. Etc., etc., etc.. 
Uns judeus são de esquerda, outros são de direita, outros são do centro e outros percebem tanto de Política como a minha avó.
E por falar em avós, o autor deste massacre imaginará que a senhora Rose Mallinger, de 97 anos, uma das suas vítimas, andava, pessoalmente ou por interposta pessoa, a infiltrar muçulmanos terroristas nos Estados Unidos?


Daniel Stein, 71 anos, uma das vítimas.


A "lógica" dos anti-semitas é olhar para os judeus e descobrir um ou alguns que  exemplifiquem o que eles mais odeiem, generalizar, e acusar "os judeus" como um todo! A partir daí, matar judeus fica justificado, "porque eles são todos iguais"...
Os judeus são apenas pessoas como as outras, que nasceram judeus ou se converteram, e que pertencem a um grupo humano. Como pertencem a outros grupos. Um judeu não se dedica exclusivamente a ser judeu. Pode ser judeu e ser também pescador à cana, empresário do ramo da hotelaria e militante do Partido Social-Democrata. Como as outras pessoas.
O autor deste massacre via nos judeus os responsáveis pela invasão islâmica do Ocidente.
Não pensou que também a Igreja Católica e a maior parte das Igrejas Cristãs são pela causa dos "refugiados". Não pensou que nos Estados Unidos o Partido Democrata, e na Europa a maior parte dos partidos, se empenham activamente em importar "refugiados".
Não pensou sequer na enorme quantidade de activistas conservadores e anti-islamização que são judeus!!! Escolheu o tal HIAS, um grupo judaico que acha (ingenuamente) que importar colonos maometanos é "humanismo", e atacou violentamente judeus.
Não atacou o HIAS (o que não deixaria de ser errado, pois este tipo de assuntos não se resolve a tiro. Entrou numa sinagoga ao acaso e matou pessoas como a senhora Rose Mallinger, de 97 anos, sobrevivente do Holocausto, que deveria interessar-se tanto por Geo-Política como a minha avó, e teve uma morte miserável, às mãos de um psicopata, enquanto participava numa cerimónia religiosa de boas-vindas de uma criança ao Mundo. 
Mas quem influenciou o senhor Bowers? Quem lhe meteu tais teorias na cabeça? Não foi ele, que ele não tem cabeça para isso. Acontece que há na Internet uma quantidade de sites anti-semitas, regidos por nazis, islamistas e globalistas-ocultistas, que, ao mesmo tempo que avançam com a sua agenda de islamização do Mundo Livre, culpam os judeus, que são simultaneamente as maiores vítimas dessa islamização, e os bodes expiatórios do costume.
É diabólico! É anti-semitismo...



 A Sinagoga Árvore da Vida. Se ao menos o senhor Bowers se tivesse dado ao trabalho de ir lá umas quantas vezes (a entrada é livre e gratuita) e tivesse visto afinal quem são e o que fazem os judeus, talvez tivesse entendido que eles são apenas pessoas, que  carregam o pesado fardo de serem o Povo da Bíblia, a mesma Bíbia a que o senhor Bowers diz seguir.

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